"(...) Aonde está a força de negar um desejo se enquanto ele não é saciado continua existindo?
Desejos nascem, ocupam lugares interessantes do seu corpo, e não morrem antes de um formigamento exausto de prazer, uma manhã de arrependimentos e clicks que a vida nos dá, também chamados de momentos de verdade, que em muito se parecem com toques de mágica para você sair do estado encantado e falso da imaginação.
O tempo não se encarrega de matar desejos, apenas de substituir os personagens.
Você pensa que é forte sendo moralista, respirando fundo, contando até mil, rezando, desviando sua atenção, mas o desejo está lá, num bar com amigos, te olhando de longe.
Ele está no vazio que deixou, na dúvida de como poderia ter sido, na esperança do próximo encontro, na consciência leve pela negação e pesada pela cobrança de um tesão ainda latente.
Pecados existem, não os julgados por Deus, não as pecuinhas julgadas pelos humanos. Pecados existem dentro dos corações traidores.
Mas se antes meu coração ardeu e se assustou de pecados, agora ele chora de saudade, de covardia e de aceitação. Ele está puro e nem por isso tranqüilo.
Esse é o maior problema dos desejos, eles não aceitam não como resposta. Você só coloca um ponto final nele se for até o fim. E o fim pode ser um simples enjôo ou, na pior das hipóteses, a morte.
Mas você viveu. Para matar um desejo é preciso viver, nem que depois você morra junto com ele.
Indo embora para casa, segurei o peito, que parecia solto, e abafei uma lágrima. Como eu queria agora estar com ele. Por aquelas horas de delícias e mais meia de arrependimento na hora de se vestir. Por aqueles segundos de esquecimento, mais meses de lembrança. Por algumas palavras idiotas, mais muitas contidas para não parecer idiota.
O desejo me acompanhou até em casa. Muito, muito mais forte que minha nobreza em ter dito não.
Ele está lá. No seu coração, na sua mente, no cheiro que você carrega junto com seu passado. (...)
Desejos nascem, ocupam lugares interessantes do seu corpo, e não morrem antes de um formigamento exausto de prazer, uma manhã de arrependimentos e clicks que a vida nos dá, também chamados de momentos de verdade, que em muito se parecem com toques de mágica para você sair do estado encantado e falso da imaginação.
O tempo não se encarrega de matar desejos, apenas de substituir os personagens.
Você pensa que é forte sendo moralista, respirando fundo, contando até mil, rezando, desviando sua atenção, mas o desejo está lá, num bar com amigos, te olhando de longe.
Ele está no vazio que deixou, na dúvida de como poderia ter sido, na esperança do próximo encontro, na consciência leve pela negação e pesada pela cobrança de um tesão ainda latente.
Pecados existem, não os julgados por Deus, não as pecuinhas julgadas pelos humanos. Pecados existem dentro dos corações traidores.
Mas se antes meu coração ardeu e se assustou de pecados, agora ele chora de saudade, de covardia e de aceitação. Ele está puro e nem por isso tranqüilo.
Esse é o maior problema dos desejos, eles não aceitam não como resposta. Você só coloca um ponto final nele se for até o fim. E o fim pode ser um simples enjôo ou, na pior das hipóteses, a morte.
Mas você viveu. Para matar um desejo é preciso viver, nem que depois você morra junto com ele.
Indo embora para casa, segurei o peito, que parecia solto, e abafei uma lágrima. Como eu queria agora estar com ele. Por aquelas horas de delícias e mais meia de arrependimento na hora de se vestir. Por aqueles segundos de esquecimento, mais meses de lembrança. Por algumas palavras idiotas, mais muitas contidas para não parecer idiota.
O desejo me acompanhou até em casa. Muito, muito mais forte que minha nobreza em ter dito não.
Ele está lá. No seu coração, na sua mente, no cheiro que você carrega junto com seu passado. (...)
Não quero uma só uma escapadinha, não quero uma vida ao seu lado. Não quero nunca mais te ver. Queria ter dez minutos com você, o bastante para não mudar minha vida em nada.
(...) Mais do que qualquer certeza, confusão é paixão.
Quis
demais que você fosse embora, quis demais que você ficasse pra sempre,
quis não pensar, me agarrei numa lógica fria que berrou no meu ouvido
que toda ação tem sua reaç o.
(...) O desejo era tanto, que travei. Tive medo que você tirasse minha maquiagem e a roupa que vesti
para seduzí-lo. Tive medo da hora de ir embora, a maior solidão é não
poder dormir nos seus abraços, pois ele é meu apenas por horas.
Tive
medo de ser só desejo, porque para mim já é mais. Prefiro ser
perseguida pelo meu desejo, que não tem dia para acabar, do que ser
abandonada mais uma vez pelo seu, que dura no máximo algumas horas."
Tati Bernardi