São uns |retalhos| que fazem .Vida.
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sábado, 5 de janeiro de 2013

"Aquele rumor de pássaros que eu ouvia quando me abraçavas era a música do vento que trazias nas mãos. Eu e tu, feito um nó ligeiro que não desatava nunca. Lembro-me bem dos laços que criávamos, para enfeitar os nossos dias, e das flores que colhíamos um para o outro só com o olhar (para não maltratar as roseiras). Ah, meu bem, aquele farfalhar de folhas sob os nossos pés não tem mais o mesmo barulho; nem a lua veste mais as mesma cores para abrir a noite. Tudo ficou diferente depois da tua partida. Só eu continuo sentindo os mesmos sismos que me suspendiam do chão à tua chegada, mas sem ter quem me acalme o desassossego da alma e ponha fim ao crepitar dos círios que velam em mim a ausência dos teus abraços."
Aíla Sampaio

domingo, 9 de dezembro de 2012

"Tudo em mim clama por ti:
meu sol se pondo,  
minha lua minguante 
meus tempestivos silêncios. 
Tudo grita teu nome e se exalta 
a cada estrela que cai  
quando te procuro e não te encontro.

Tudo me diz da tua presença,
mas nada vejo além do horizonte
que os teus olhos não querem alcançar." 
Aíla Sampaio

sábado, 1 de dezembro de 2012

Pelo Amor Vivido... No Pretérito Perfeito.

"Eu te amei além das datas e dos horários
todos os dias úteis e feriados
sem presente, futuro ou passado;
amei-te desde sempre e em todos os momentos
como ontem e em todo o calendário.
Eu te amei na solidão do dia infinito
e nas longas noites de desalento.
Amei-te no encontro e na separação
nas palavras que diminuíam as distâncias
e no silêncio que apressou as passadas do tempo.

Como quem não sabia viver de outro jeito
eu te amei sem salvação e sem remédio.
Acendi velas, fiz orações e unguentos
fiz promessas, usei armas de guerra,
mas nada te arrancava do meu pensamento.

Até que a vida, com seu passo marcado,
fez da nossa história um sonho desfeito...
De tudo ficou apenas a natureza da memória
e o verbo amar no pretérito perfeito." 
Aíla Sampaio

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

"Não retorno, jamais parto;
não tenho fim, nunca começo.
Vivo e morro enquanto vivo,
sobrevivo inevitável;
como infinito mistério: existo!

Só um sonho me reparte:
prevalecer,
ser o que nem sempre consigo.

Meus olhos são dois abismos,
eterno perigo de ser
o que é secreto,
o que é certo,
porém incabível.
("Impune" - do livro Desesperadamente Nua (1987))."
 Aíla Sampaio
"Andei alheia à vida,
atravessando avenidas
sem olhar para os lados,
querendo não ver a tua ausência;
comigo, só o olhar perdido
no sol vermelho do fim de tarde
e um sorriso postiço como os cílios manchados
que os teus dedos não tocaram.
Andei ocupada em me perder
pra não te encontrar mais em meus pensamentos,
pra não contar mais os dias sem ti
nem escutar o que as minhas inseguranças
insistem em dizer.
Andei e ando pensando bobagens,
rasgando papéis
e borrando a maquiagem à toa."
Aíla Sampaio